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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Domingão de Enade

Enade divide universitários. Prova será aplicada este domingo

Publicada em 04/11/2008 às 00h45m
Alessandro Soler
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  • Média: 5,0
Alunos que farão o Enade - Manoel Fernando da Silva Lyra, aluno de Análise e Desenho de Sistemas, segundo período, Unigranrio, em Duque de Caxias. Foto Fabio Rossi / Agência O Globo RIO - O clima é quase de vestibular. Sem a parte, ufa!, da pressão pela conquista de uma vaga. No próximo domingo, 461 mil alunos do ensino superior deverão fazer o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade 2008), um dos procedimentos de avaliação do MEC. Numa prova de 40 questões e quatro horas de duração, os universitários - divididos em dois grupos: os que estão no início e os que estão saindo da faculdade - mostrarão o que vêm aprendendo nos 23 cursos testados. Os estudantes foram sorteados por amostragem entre os 824 mil inscritos. As provas serão aplicadas em 9 de novembro, às 13h. Confira os locais de prova do Enade 2008
Entre os estudantes há quem apóie e quem critique o Enade. Wellington Vaz Rodrigues da Silva, que conclui Matemática na Unigranrio, de Duque de Caxias, está no primeiro grupo:
- Estou relaxado. É mais tranqüilo de fazer do que um vestibular, embora exija concentração. Mas não há carga sobre as costas, não tenho que passar em nada. Estou encarando como um serviço que ajudo a prestar, contribuindo para a avaliação da faculdade. Por outro lado, a prova é importante para eu saber onde tenho que melhorar.
Já Yuri Oliveira, que finaliza Arquitetura e Urbanismo na Unifacs, em Salvador, discorda.
- Não vou fazer. Só vou até lá colar um adesivo do Movimento Nacional de Boicote ao Enade, da Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo. A prova é inadequada. Não respeita as especificidades de cada curso e região. O MEC não leva em conta a pesquisa de extensão, limita-se a aplicar uma prova. A avaliação de modelo único é errada - diz.
Recém-ingressado no curso superior técnico de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Unigranrio, Manoel da Silva Lyra fará a prova. Mas teme que as questões específicas sejam difíceis, pois só teve uma pequena parte do conteúdo:
- Estou estudando. A avaliação é importante, até para eu saber em que nível estou.
De acordo com a organização, haverá dez questões de conteúdo geral, iguais para todos. As outras 30 são de conteúdo específico. Entre estas, há diferenças para quem está entrando e quem está deixando o curso. A participação ou a dispensa constarão no histórico de todos os alunos.
São 13 as graduações avaliadas: Arquitetura e Urbanismo, Biologia, Ciências Sociais, Computação, Engenharia, Filosofia, Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Química. Além disso, dez cursos superiores em tecnologia passarão pelo teste: Construção de Edifícios, Alimentos, Automação Industrial, Gestão da Produção Industrial, Manutenção Industrial, Processos Químicos, Fabricação Mecânica, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores e Saneamento Ambiental.
No mar e na terra

Educação na estrada: conheça duas famílias que educaram os filhos enquanto percorriam o mundo

Publicada em 16/10/2008 às 15h46m
Marta Reis
  O barco usado pelos Schürmann nas viagens recebeu o nome de Aysso / Divulgação RIO - Nada de carteiras, quadro negro ou matérias chatas. Na família Schürmann, a Teoria da Evolução de Darwin se aprende no próprio arquipélago de Galápagos, e as lições sobre geologia e geografia acontecem sob um vulcão, na Martinica. Foi dessa maneira que a matriarca da família, Heloísa Schürmann, escolheu educar os quatro filhos: viajando. Mas sem abrir mão das lições e das provas, ela garante. Apesar de brasileira, Heloísa optou por métodos americanos para ensinar os filhos, já que nos Estados Unidos, diferentemente do Brasil, a legislação permite a educação em casa, ou o Home Schooling, como o termo é mundialmente conhecido. (Relembre o caso dos meninos mineiros, cujos pais estão sendo processados por educar os filhos em casa).
Conhecida pela vida em alto mar, os Schürmann partiram do Brasil a bordo de um veleiro em 1984, quando os filhos Pierre, David e Wilhelm tinham 15, 10 e 7 anos, respectivamente. O mais velho continuou os estudos através de um programa especial do Colégio Anglo Americano, e os menores seguiram o método sob correspondência da Calvert School, dos Estados Unidos. A quarta filha, Kat, adotada em 95 aos três anos, também foi ensinada pela mãe.
- O material era enviado em um só pacote para todo o ano escolar. As instruções eram bem detalhadas, inclusive com a carga horária indicada para cada disciplina. Todo o mês, enviávamos as lições e os trabalhos feitos pelos meninos, e a cada seis meses, eles faziam uma prova mais ampla. A leitura de livros brasileiros era importante, já que as apostilas eram em inglês - conta Heloísa, que fez licenciatura em inglês, na New York of University.
Segundo Heloísa, cada oportunidade era motivo de aprendizado:
- A matemática era ensinada através de dados concretos da navegação, o câmbio através das moedas dos países que visitávamos, o comportamento das espécies marinhas com os pescadores locais, e por aí vai. Aprendi a usar a criatividade. Se faltava algum material, buscava outro similar ou ajuda nos outros veleiros - relembra ela - Quando ficávamos muito tempo em solo, eles freqüentavam a escola daquele país - emenda.
Legislação brasileira exige que as crianças estejam matriculadas na escola
Pela legislação brasileira, a educação recebida pelos filhos de Heloisa só seria reconhecida no país, caso eles tivessem matriculados em alguma escola. (Entenda melhor como funciona a legislação nesse caso)
- As crianças com idade escolar (leia-se dos 7 aos 14 anos) precisam estar vinculadas a uma escola. Mas isso não seria um empecilho para as viagens. Várias instituições oferecem ferramentas para fazer o acompanhamento pedagógico, pela internet ou por correspondência - esclarece o conselheiro da Câmara de Educação Básica, do MEC, Francisco Aparecido Cordão.
No mar ou na terra, o enredo é parecido
Sofia, Mica e os filhos na estradaRoteiro semelhante tem a vida da família dos portugueses Sofia Salgado e Mica Costa-Grande. A jornalista e o fotógrafo deixaram Portugal quando Eloi e Sáskia tinham 6 e 4 anos, e Sofia alfabetizou os filhos através de livros didáticos cedidos pela ex-escola dos meninos, sem ter feito qualquer curso de preparação. - Fui autodidata mesmo. Seguia as lições e fazíamos os exercícios. Não foi difícil. Nos outros anos, comprei os livros que a escola mandou e os seguia. Minhas maiores preocupações eram o português e a matemática. O resto, eles aprendiam durante as viagens - conta ela, que mantinha uma rotina. - De manhã, eles completavam os exercícios, e de tarde fazíamos passeios a museus, igrejas e monumentos históricos.
Veja fotos dos Schürmann e da família de Sofia durante suas viagens pelo mundo
A jornalista educou os filhos sozinha até onde pôde. Mas, em 2006, decidiu fixar residência em São Paulo para que eles pudessem freqüentar a escola.
- Resolvemos criar uma base aqui antes de completar a volta ao mundo, pelo menos até os meninos terminarem o ensino médio. Com 10 e 12 anos, a diferença de idade entre eles começou a pesar na hora de ensinar. E a minha habilidade enquanto educadora ficou um pouco a desejar. Acho importante que eles conheçam a estrutura escolar e a concorrência - completa ela, destacando que o Home Schooling também é permitido em Portugal.
Nos Schürmann, era preciso estudar cinco horas diariamente
Para o filho do meio da família Schürmann, David, hoje com 34 anos, a adaptação à nova rotina foi rápida:
Família Schürmann (da direita para esquerda): Pierre, Heloísa, Wilhelm,Vilfredo (pai), David e Kat/ Divulgação - Sabíamos que seria diferentemente e realmente foi, mas nossa mãe nos preparou para isso. Eu e meu irmão adorávamos. Imagina não precisar colocar uniforme e ficar trancado dentro de uma sala de aula o dia todo - lembra o cineasta, que deixou o barco para fazer faculdade na Nova Zelândia e nos Estados Unidos. David destaca que a disciplina do colégio era mantida em casa:
- Não era moleza, não. Estudávamos pelo menos cinco horas por dia - Conta ele.
Com mais rigor

Sistema de admissão automática nas escolas é criticado no Rio, mas especialistas são contra seu fim

Publicada em 02/11/2008 às 23h55m
O Globo BRASÍLIA - A aprovação automática é quase uma unanimidade entre os especialistas em educação, que aprovam o sistema, como mostra reportagem de Demétrio Weber, nesta segunda-feira, no Globo. Eles alertam que no Rio, onde o prefeito eleito, Eduardo Paes, anunciou o fim do sistema, o grande problema está na forma como o mecanismo foi adotado.
O fim da aprovação automática virou pleito dos eleitores fluminenses. Assim como Paes, seu adversário no segundo turno, o deputado federal Fernando Gabeira (PV), também previa a extinção da chamada progressão continuada. E a origem da revolta no Rio, onde o ensino fundamental dura nove anos, está na constatação de que alunos são aprovados sem saber conteúdos mínimos. Há casos de crianças de 9 anos que mal conseguem ler, mas tiram notas boas.
De acordo Regina Vinhaes Gracindo, professora da Universidade de Brasília (UnB) e integrante do Conselho Nacional de Educação, há um engano na implantação dos ciclos. A idéia, diz ela, ao invés de automática, a aprovação deveria ser progressiva.
A coordenadora do programa de educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Maria de Salete Silva, vai na mesma linha. Segundo ela, os ciclos acabam com a camisa-de-força do ano letivo, isto é, impedem que um aluno de 7 anos seja reprovado na 1ª série porque seu ritmo de alfabetização é mais lento.
A secretária municipal de Educação do Rio, Sônia Mograbi, rejeita o rótulo da aprovação automática. No ano passado, a prefeitura acabou com o conceito insuficiente, que foi substituído pelo RR (registra recomendações). Cabe ao conselho de classe decidir se alunos com RR serão reprovados.